Repertório sociocultural - A obrigatoriedade da vacinação em questão no Brasil

01/10/2020
  • Origem da vacina - Repertório histórico:

Os primeiros vestígios do uso de vacinas, com a introdução de versões atenuadas de vírus no corpo das pessoas, estão relacionados ao combate à varíola no século 10, na China. Porém, a teoria era aplicada de forma bem diferente: os chineses trituravam cascas de feridas provocadas pela doença e assopravam o pó, com o vírus morto, sobre o rosto das pessoas.

Foi em 1798 que o termo "vacina" surgiu pela primeira vez, graças a uma experiência do médico e cientista inglês Edward Jenner. Ele ouviu relatos de que trabalhadores da zona rural não pegavam varíola, pois já haviam tido a varíola bovina, de menor impacto no corpo humano. Ele então introduziu os dois vírus em um garoto de oito anos e percebeu que o rumor tinha de fato uma base científica. A palavra vacina deriva justamente de Variolae vaccinae, nome científico dado à varíola bovina.

Em 1881, quando o cientista francês Louis Pasteur começou a desenvolver a segunda geração de vacinas, voltadas a combater a cólera aviária e o carbúnculo, ele sugeriu o termo para batizar sua recém-criada substância, em homenagem a Jenner.

A partir de então, as vacinas começaram a ser produzidas em massa e se tornaram um dos principais elementos para o combate a doenças no mundo.

Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1263-vacinas-as-origens-a-importancia-e-os-novos-debates-sobre-seu-uso?showall=1&limitstart=#:~:text=Foi%20em%201798%20que%20o,menor%20impacto%20no%20corpo%20humano.

  • Revolta da Vacina - Repertório histórico:

A Revolta da Vacina foi um motim popular ocorrido entre 10 e 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Seu pretexto imediato foi uma lei que determinava a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola, mas também é associada a causas mais profundas, como as reformas urbanas que estavam sendo realizadas pelo prefeito Pereira Passos e as campanhas de saneamento lideradas pelo médico Oswaldo Cruz.

No início do século XX, o planejamento urbano da cidade do Rio de Janeiro, herdado do período colonial e do Império, não condizia mais com a condição de capital e centro das atividades econômicas. Além disso, a cidade sofria com sérios problemas de saúde pública. Doenças como a varíola, a peste bubônica e a febre amarela assolavam a população e preocupavam as autoridades. No intuito de modernizar a cidade e controlar tais epidemias, o presidente Rodrigues Alves iniciou uma série de reformas urbanas e sanitárias que mudaram a geografia da cidade e o cotidiano de sua população. As mudanças arquitetônicas da cidade ficaram a cargo do engenheiro Pereira Passos, nomeado prefeito do Distrito Federal. Ruas foram alargadas, cortiços foram destruídos e a população pobre foi removida de suas antigas moradias. Ao médico Oswaldo Cruz, que assumiu a Diretoria Geral de Saúde Pública em 1903, coube a campanha de saneamento da cidade, que visava erradicar a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Com este intuito, em junho de 1904, o governo fez uma proposta de lei que tornava obrigatória a vacinação da população. A lei gerou debates exaltados entre os legisladores e a população, e, apesar da forte campanha de oposição, foi aprovada no dia 31 de outubro.

O estopim da revolta foi a publicação de um projeto de regulamentação da aplicação da vacina obrigatória no jornal A Notícia, em 9 de janeiro de 1904. O projeto exigia comprovantes de vacinação para a realização de matrículas nas escolas, para obtenção de empregos, viagens, hospedagens e casamentos. Previa-se também o pagamento de multas para quem resistisse à vacinação. Quando a proposta vazou para a imprensa, o povo indignado e contrariado iniciou uma série de conflitos e manifestações que se estenderam por cerca de uma semana. Embora a vacinação obrigatória tenha sido o deflagrador da revolta, logo os protestos passaram a se dirigir aos serviços públicos em geral e aos representantes do governo, em especial contra as forças repressivas. Um grupo de militares florianistas e positivistas, com o apoio de alguns setores civis, tentou se aproveitar do descontentamento popular para realizar um golpe de Estado na madrugada do dia 14 para o dia 15 de novembro, que, no entanto, foi derrotado.

No dia 16 de novembro, foi decretado o estado de sítio e a suspensão da vacinação obrigatória. Dada a repressão sistemática e extinta a causa deflagradora, o movimento foi refluindo. Na repressão que se seguiu à revolta, as forças policiais prenderam uma série de suspeitos e indivíduos considerados desordeiros, tivessem eles relação com a revolta ou não. O saldo total foi de 945 pessoas presas na Ilha das Cobras, 30 mortos, 110 feridos e 461 deportados para o estado do Acre.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Vacina 

  • Constituição Federal de 1988 - Repertório jurídico:

Art. 5º - Liberdade individual

X

Art. 6º - Acesso à saúde (direito coletivo)

  • Outras pandemias no decorrer da história:

1. Coronavírus

  • Vírus: SARS-COV-2
  • Período do surto: 2019-2020
  • Número de mortes: cerca de 1 milhão de pessoas (setembro/2020)
2. Tuberculose
  • Bactéria: Bacilo de Koch
  • Período do surto: 1850-1950
  • Número de mortes: cerca de 1 bilhão de pessoas
3. Varíola
  • Vírus: Orthopoxvirus variolae
  • Período do surto: 430 a.C. (primeiro surto)
  • Número de mortes: 300 milhões de pessoas aproximadamente
4. Gripe Espanhola
  • Vírus: Influenza
  • Período do surto: 1918-1920
  • Número de mortes: entre 20 e 40 milhões de pessoas
5. Peste Negra
  • Bactéria: Yersinia pestis
  • Período do surto: 1347-1353
  • Número de mortes: 25 milhões de pessoas aproximadamente
  • Peste Negra: o que foi, resumo, sintomas e máscara
  • Peste Bubônica: o que é, sintomas e transmissão
6. Aids (HIV)
  • Vírus: HIV
  • Surto da doença: 1980
  • Número de mortes: 20 milhões de pessoas aproximadamente
7. Tifo
  • Bactéria: Rickettsia prowazekii
  • Período do surto: 1918-1922
  • Número de mortes: cerca de 3 milhões de pessoas
8. Cólera
  • Bactéria: Vibrião colérico
  • Período do surto: 1817-1824
  • Número de mortes: 30 mil pessoas aproximadamente
9. Gripe Suína (H1N1)
  • Vírus: Influenza tipo A
  • Período do surto: 2009-2010
  • Número de mortes: cerca de 20 mil pessoas

Disponível em: https://www.todamateria.com.br/maiores-pandemias-da-historia/ 


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